Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.
Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.
Fuy tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.
Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.
Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy....
Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y jo le digo adiós.
Pablo Neruda
Porque, como diria Rubem Alves, "Ostra Feliz Não Faz Pérola".
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Dos Três Mal Amados - Cordel do Fogo Encantado
De João Cabral de Melo Neto.
O poema é repetido, mas declamado é ainda mais legal! E tem os Tambores de Fogo.
http://www.releituras.com/joaocabral_malamados.asp
"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons"
Martin Luther King.
Ubuntu: é uma antiga palavra Africana, cujo significado é "humanidade para todos". Ubuntu também quer dizer "Eu sou o que sou devido ao que todos nós somos".
Martin Luther King.
Ubuntu: é uma antiga palavra Africana, cujo significado é "humanidade para todos". Ubuntu também quer dizer "Eu sou o que sou devido ao que todos nós somos".
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Eu sofria quando ela me dizia
Eu sofria quando ela me dizia: "Que tem a ver com as calças, meu querido?
"Vitória, Imperatriz, reinava sobre os costumes do mundo anestesiado e havia
palavras impublicáveis.
As cópulas se desenrolavam - baixinho - no escuro da mata do quarto fechado.
A mulher era muda no orgasmo. "Que tem a ver..." Como podem lábios donzelos
mover-se, desdenhosos, para emitir com tamanha naturalidade o asqueroso monossílabo?
a tal ponto
que, abrindo-se, pareciam tomar a forma arroxeada de um ânus.
A noite era mal dormida. A amada vestida de fezes
puxava-me, eu fugia, mãos de trampa escorregante
acarinhavam-me o rosto. O pesadelo fedia-me no peito.
O nojo do substantivo - foi há trint'anos -
ao sol de hoje se derrete. Nádegas aparecem
em anúncios, ruas, ônibus, tevês.
O corpo soltou-se. A luz do dia saúda-o,
nudez conquistada, proclamada.
Estuda-se nova geografia.
Canais implícitos, adianta nomeá-los? esperam o beijo
do consumidor-amante, língua e membro exploradores.
E a língua vai osculando a castanha clitórida,
a penumbra retal.
A amada quer expressamente falar e gozar
gozar e falar
vocábulos antes proibidos
e a volúpia do vocábulo emoldura a sagrada volúpia.
Assim o amor ganha o impacto dos fonemas certos
no momento certo, entre uivos e gritos litúrgicos,
quando a língua é falo, e verbo a vulva,
e as aberturas do corpo, abismos lexicais onde se restaura
a face intemporal de Eros,
na exaltação de erecta divindade
em seus templos cavernantes de desde o começo das eras
quando cinza e vergonha ainda não haviam corroído a inocência de viver.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
leaoramos.blogspot.com
"Vitória, Imperatriz, reinava sobre os costumes do mundo anestesiado e havia
palavras impublicáveis.
As cópulas se desenrolavam - baixinho - no escuro da mata do quarto fechado.
A mulher era muda no orgasmo. "Que tem a ver..." Como podem lábios donzelos
mover-se, desdenhosos, para emitir com tamanha naturalidade o asqueroso monossílabo?
a tal ponto
que, abrindo-se, pareciam tomar a forma arroxeada de um ânus.
A noite era mal dormida. A amada vestida de fezes
puxava-me, eu fugia, mãos de trampa escorregante
acarinhavam-me o rosto. O pesadelo fedia-me no peito.
O nojo do substantivo - foi há trint'anos -
ao sol de hoje se derrete. Nádegas aparecem
em anúncios, ruas, ônibus, tevês.
O corpo soltou-se. A luz do dia saúda-o,
nudez conquistada, proclamada.
Estuda-se nova geografia.
Canais implícitos, adianta nomeá-los? esperam o beijo
do consumidor-amante, língua e membro exploradores.
E a língua vai osculando a castanha clitórida,
a penumbra retal.
A amada quer expressamente falar e gozar
gozar e falar
vocábulos antes proibidos
e a volúpia do vocábulo emoldura a sagrada volúpia.
Assim o amor ganha o impacto dos fonemas certos
no momento certo, entre uivos e gritos litúrgicos,
quando a língua é falo, e verbo a vulva,
e as aberturas do corpo, abismos lexicais onde se restaura
a face intemporal de Eros,
na exaltação de erecta divindade
em seus templos cavernantes de desde o começo das eras
quando cinza e vergonha ainda não haviam corroído a inocência de viver.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
leaoramos.blogspot.com
Marcadores:
Carlos Drummond de Andrade,
Poesia
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Aprendizagem
Do mesmo modo
que da alegria
foste ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta.
Ferreira Gullar
que da alegria
foste ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta.
Ferreira Gullar
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Novo Poema da Tristeza
Deixei passar a ronda lenta
De muitas luas,
Mas a minha tristeza não diminuiu...
Longe, longe,
O céu agora é deserto,
Como se houvesse morrido,
Como se houvesse acabado...
Sozinha, no meu luto,
Ergo as mãos,
Cheias de lágrimas,
Em oferenda...
Cecília Meireles
De muitas luas,
Mas a minha tristeza não diminuiu...
Longe, longe,
O céu agora é deserto,
Como se houvesse morrido,
Como se houvesse acabado...
Sozinha, no meu luto,
Ergo as mãos,
Cheias de lágrimas,
Em oferenda...
Cecília Meireles
Assinar:
Postagens (Atom)


